|
| O Sedeiro |
|
"E como é que o linho não havia de ter medo do sedeiro ?"A última etapa de todo o processo é a assedagem que consiste na separação das fibras longas, do linho, da estopa, que são mais curtas.O sedeiro, de uma maneira geral, é constituído por uma "mesa" de madeira revestida de chapa, onde assentam dentes de aço voltados para cima. Tem a missão de seleccionar as melhores fibras e penteá-las, ou seja, ordená-las paralelamente. É composto por duas partes, uma com dentes mais largos, onde passam as fibras numa primeira fase, e outra com pregos mais juntos e fininhos. Ao passar por aqui, a estopa vai ficando para trás, chegando ao fim apenas as fibras mais compridas, finas e lisas (entrefina). Com elas se fazem os fios de espessura mais reduzida que, depois de tecidos, proporcionam o que de melhor a terra produz, em termos de têxteis vegetais.A estriga, ou seja, o conjunto de filamentos que se mantêm na mão, é depois torcida e posta de lado. |
| A Roca |
|
"Deitar o linho na roca".A roca é uma vara com um bojo numa das extremidades onde se enrola a estriga (porção de linho que se põe de cada vez na roca) que se quer fiar. A difusão da roca no mundo ocidental deu-se sobretudo a partir da antiguidade clássica. De então para cá ela assume uma grande importância, adquirindo formas variadas e ricas conforme as regiões. Inicia-se outra fase, completamente diferente das vividas até agora, que se aprende com todos os sentidos, tal é o significado quase lendário que tem. A partir do meio da estriga, é aberta muito suavemente. Os finíssimos filamentos estão ligados quase por magnetismo. A fiandeira dá uma breve cuspidela sobre as primeiras fibras que tocam na roca. Com movimentos circulares, o objecto gira na mão direita. Com a esquerda, a estriga é enrolada levemente na parte mais larga da roca. Na roca só se põe uma estriga de cada vez. "Agora está pronto para fiar". |
| O Fio e a Fiação |
|
A fiação tem as suas origens no Mesolítico. Com a descoberta do fuso - instrumento para fiar à roca, a técnica de fiação melhorou consideravelmente.Para além do rendimento de trabalho aumentar já foi possível obter fios mais finos e regulares. Segundo Robert Lowie (manual d' anthropologie), o fuso teria sido inventado pelos povos do mundo antigo.Carregando a roca com a estriga, a fiandeira segura-se com a mão esquerda e com a outra o fuso. Puxa as fibras do linho da estriga e enrola-as com o polegar e o indicador da mão esquerda. Com a saliva e auxílio dos dentes, humedece e estica o fio para que este fique uniforme O fio assim confeccionado, vai sendo enrolado no fuso com o polegar e indicador da mão direita formando assim a maçaroca de fio. O fuso tem a particularidade de ter, na parte de cima, uma ranhura em espiral de quatro centímetros, para melhor segurar o torcido. Enquanto fia, sobre o colo caem-lhe as últimas arestas da planta. Mas, ao fiar, sempre surgem fibras mais curtas, que vêm alterar a espessura regular do fio. Para evitar esta situação, o fio é sempre levado á boca e, com os dentes, é retirado o inoportuno capão. Por estas razões, é um facto, o linho, quando retirado do fuso, apresenta-se húmido. E, para fiar, há que o fazer sentada, pois o velho ditado não perdoa: "Quem do alto fiaO fuso lhe cai E o Cu lhe assobia." O fuso não toca no chão e se por acaso caía, repentinamente, dizia: "ai o meu tormento." "Quem me dera ser o linhoQue vós na roca fiais P'ra me dar tantos beijosComo vós no linho dás." Para fiar fininho, o considerado bem fiadinho, além de exigir prática, requer também bons dentes. Quanto mais torcidas as fibras ficarem, mais resistente ficara o fio. " Depois de fiado é sarilhado." |
| Ensarilharo |
|
Fio que está enrolado no fuso, vai passar por outro objecto: o sarilho que, seguindo umas voltas inalteráveis, o ordenará em meadas. |
| Processo de Branqueamento do Fio |
|
O linho sofre dois tratamentos de branqueamento: o fio e em tecido. Como já foi dito, o fio depois de fiado, é posto em meadas. Estas, antes de serem dobadas e tecidas, são objecto dum processo de branqueamento. De certa forma complexa, a operação que tem por fim liberta-lo de todas as impurezas chama-se "barrela". Em certas zonas este processo começa pela "deceiva", em que as meadas são batidas fortemente sobre a pedra do lavadouro apenas com água sem usar sabão. Uma outra forma, mais frequente na Madeira consiste em colocar as meadas num cesto de vimes - o barreleiro (o barreleiro serve, também, para escorrer a água do linho lavado, devidamente alisado e dobrado, e para o transportar até ao local, perto de casa, onde irá continuar a corar). Numa panela ferve-se água com cinza e algumas ervas (folhas velhas de couve, flor ou folha de sabugueiro, heras e muitas outras), deita-se por cima das meadas e deixa-se ficar algumas horas.Logo após este tratamento as meadas são lavadas e colocadas em varas suspensas ao sol. São depois guardadas. |
|
|
|
Home
Concelho
Freguesias
Início
|
| Copyright © Câmara Municipal da Calheta | Avenida Dom Manuel I, nº46 - Edifício Paços do Concelho, 9370 - 135 Vila da Calheta Sugestões | Webmaster | Site actualizado a 04/05/2012 ..:: De momento encontram-se 10 utilizadores online, com um total de 127618 visitantes desde 04-04-2005! ::.. |