Desde sempre, o povo da Ponta do Pargo se dedicou à agricultura e criação de gado vacum,
para produção de leite e carne e ainda para ajudar nos trabalhos agrícolas. A terra dá
de tudo um pouco, merecendo uma referência especial à vinha sercial, que se cultiva
nas Fajãs.
Nos sítios mais planos, as terras são lavradas através de arados puxados por vacas ou
bois. E no mês de Fevereiro ou princípios de Março o trigo é lançado à terra, para colher
na primeira quinzena de Julho. O trigo era a grande produção que garantia o alimento à
freguesia.
Os trabalhos agrícolas obrigavam a que os homens e mulheres estivessem fora de
casa de sol a sol, ou seja desde o amanhecer ao anoitecer. As refeições eram feitas no
local de trabalho, o que exigiu a construção de recipientes para transporte de água e
alimentos.
Com um pouco de imaginação e utilizando o material de que dispunham, facilmente
começaram a construir os cestos de palha de trigo, enrolados de forma circular, muito
unida e segurada com fios de espadana, passados com a ajuda de uma agulha metálica.
Tinham vários tamanhos e feitios, de acordo com o tamanho da família. Conta-se que
quando as pessoas iam para a serra "roçar" feiteira, coziam o milho e deitavam no cesto
de palha de trigo da seguinte maneira:
Primeiro colocavam uma toalha de linho ou estopa no fundo do cesto a qual era polvilhada
de farinha para que o milho não pegasse. Depois segurando as pontas da toalha, vertiam
para dentro a panela do milho, (papa). À hora da refeição, todos se juntavam à volta do
cesto, para comer o milho, ainda quente. Era acompanhado com torresmos de porco e vinho.
Também usavam estes cestos para levar água para a fazenda e ainda para transportar o
pão e o bacalhau, aquando das Romarias do Loreto, Ponta Delgada e Monte.